Já tentou desligar e ligar novamente?
Sou tão apegado à ideia de eficiência que, recentemente, venho lendo muito sobre testes de usabilidade.
Por exemplo, esse, que a Canonical aplicou para entender que tipo de relação os usuários não-geeks têm com a interface do Ubuntu. O que faz com que eles empaquem e desistam de usar o sistema? Esses obstáculos são chamados de “showstoppers”.
Quando leio essas coisas, tenho a tendência de tratar a mim mesmo como uma interface. E tentar descobrir quais são os meus showstoppers. Seguindo a lista do teste do Ubuntu:
- Compatibilidade de arquivos — Os nomes que eu dou às coisas são entendidos pelas pessoas à minha volta? São minimamente compatíveis com os sistemas de ideias dos outros?
- Falta de responsividade do sistema — Ao interagir com as pessoas, dou feedback? Quer dizer, eu as ajudo a saber como lidar comigo?
- Uso de jargão — Minha mente é demasiadamente técnica e dependente de conceitos fixos? Meu discurso e procedimentos são tão rígidos que se parecem com um punhado de jargões, que impedem o uso do sistema?
Fazer esse tipo de perguntas pode ser útil. Ajuda a melhorar a comunicação. Mas, por outro lado, é um exercício perigoso. Se você realmente acreditar que existe uma eficiência total e completa que possa ser atingida por meio do pensamento discursivo.
Se temos esse tipo de ingenuidade, aí sim podemos chegar a um estado de buffer overflow — quando o sistema não é mais capaz de responder a tanta informação. E nem sempre vai haver um técnico por perto para perguntar: “já tentou ligar e desligar (o computador) novamente?”